“Você não pertence a esta realidade” A morte dos brasileiros no exterior.

Hoje somos cerca de 2,5 milhões de brasileiros no exterior.  Baianos, paulistas, mineiros, gaúchos espalhados pelo mundo inteiro.  E quando você sai do Brasil tem uma galera que resolve decretar o fim da sua nacionalidade. Você está morto.

“Arranca esta medalha verde e amarela do teu peito por que ela não te pertence. Seu fanfarrão”

Você não é mais brasileiro. Basta um comentário seu sobre a política nacional, futebol ou pão de queijo que os que estão em território tupiniquim logo dizem : “Desculpa, mas você não pertence mais a esta realidade. Decidiu abandonar o Brasil”.  Agora imagina a crise pra um camarada que acaba de se mudar para o Alasca. Um desterrado total. Fica sem chão.

– Primeiro por que seja qual for o país que você tenha se mudado sua integração total é quase impossível. Língua, hábitos, trejeitos, etc.

– Suas raízes e referências culturais estão enterradas em algum lugar do insólito gigante da América Latina. Como seu senso de humor, seu mal gosto para música ou seu drama ao assistir a apuração dos votos da última eleição presidencial.

Alguns até tentam disfarçar, mas um brasileiro pode ser reconhecido num único relance de olho a quilômetros de distância. Principalmente o zé carioca. Tenho amigos que reconhecem brazucas aqui pelo olfato. Sotaque então é só respirar.

Tem gente que opta pela imigração por vários motivos. Desde o abandono real de sua história, trauma, trabalho, educação, felicidade até a simples curiosidade. A lista é longa. Mas primeiro vamos aos fatos. Ao sair do Brasil você mantem direitos e deveres de cidadão brasileiro. Entre eles estão o alistamento militar, o voto obrigatório e a declaração de imposto de renda. Falta com algum deles pra ver. Passaporte caçado. Ou seja, ainda posso falar mal do pão de queijo “muchibento” ou da péssima atuação do Guarani no último campeonato paulista por que fui obrigado a justificar voto no último domingo. Colega, você não perde seu passaporte, sua aposentadoria e nem o direito a assistir o brasileirão pela globo.com quando está na gringa.

Vale também derrubar alguns mitos. Quando se envia notícias para casa ( Brasil ) tendemos as notícias valorosas, aquelas de conquistas. Tem gente que tem medo de enviar noitícias de fracassos. Mas elas existem e são muitas. A vida de imigrante é o seguinte.

– Trabalhos ruins muitas vezes fora da sua área de formação. Dificuldades com a língua. Difícil adaptação ao clima, comida e hábitos. Saudades. Falta de identificação com a cultura local. Falta de referência para a procura de bons empregos. Competitividade desleal no mercado de trabalho muitas vezes. Exploração. Falta de crédito no mercado. Documentação. E o mais difícil. Recomeçar uma vida do zero.

Tem gente que acha que imigração é uma maravilha. Tenta a sorte então. Acham que você foi sorteado na Mega Sena pelo teus belos cachos dourados e convidado a morar no Tibet que por sinal passou a ser o melhor lugar do mundo. Vida de imigrante é vida de desafios. Ralação. Uma longa jornada de reconhecimento. Papéis, medos e insegurança. É uma vida de aventura para poucos guerreiros que se metem nesta jornada. Tão difícil quanto o trabalho dos bandeirantes que aportaram há séculos no Brasil.

Mas então uma pergunta. Como determinar seu grau de envolvimento com esta nação distante chamada Brasil. Depende. Tem gente no próprio Brasil que não conhece 10% da linha evolutiva da música popular. Não conhece a história dos movimentos sociais, política, educação e aí vai. Este cara é tão estranho no Brasil quanto um americano falando “valeu mano” na zona leste de São Paulo.

Seu coração não fica limitado a fronteiras.  Então um conselho para brasileiros em ambos os lados.

Se estás no Brasil saiba que quem está fora pode te ajudar e muito. Você pode  aprender com um brasileiro no exterior. Ele pode te passar informações preciosas de projetos interessantes e comportamentos que tem dado certo nos diversos lugares do mundo. Como por exemplo uma coleta de lixo orgânico ou mesmo o comportamento na fila do banco.

Se estás na gringa saibas que nunca poderá abandonar sua origem. Nunca será outra coisa a não ser brasileiro. Você pode falar o inglês, francês ou mandarim perfeito, viver 20 anos no Himalaia e ainda assim será brasileiro. Nada te faz menos ou mais brasileiro que os outros. Quer você queira ou não. Quando comer pão com manteiga e tomar um pingado a tarde o gosto do Brasil vai invadir tua boca e a saudade encherá teu coração.  Se for amargo engula seco teu orgulho.

E se vai embarcar na imigração não entre nessa de abandonar o Brasil. Por mais que deixamos o país por muitos motivos ainda oramos por ele, ainda torcemos por ele, e estamos dispostos a ajudar mesmo distante. Ou você que abre a boca aí pra dizer torça por mim está ignorando meus sentimentos enviados a minha nação ? Então quando pensar que não faço nada por você, pense que só o fato de eu te representar aqui, de vestir o verde amarelo, de falar com sotaque português, de ser educado com os outros e de orar por você meu irmão, já é o suficiente para que você me reconheça como irmão brasileiro. Por que quando ganhamos uma medalha de honra ao mérito em Harvard todo mundo adora colocar no jornal. Brasileiro é premiado em Harvard. E saiba que se eu cometer um crime aqui vai aparecer no jornal. Cidadão canadense, de origem brasileira é preso por x ou y.

Graças a Deus o Brasil está dentro de nós e nossa brasilidade não se resume a samba, futebol e carnaval. E nem mesmo uma fronteira é capaz de encerrar nossa história eterna de amor e ódio …..

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Educação Primária no Quebéc. Custos, matrícula, inglês ou francês …

Os custos da educação no Quebéc podem ser considerados caros. Mas tudo realmente depende do ponto de vista. E você vai ver que isso não é nada subjetivo.

A Escola Pública no Quebéc não exige nenhuma tarifa para inscrição no sistema educacional seja no primário ou no secudnário. Existem exceções em escolas que exigem testes de avaliação como forma de seleção dos alunos.  Mas estas taxas não passam de 50$.

Já na Escola privada existem taxas de admissão, inscrição, entre outras. Vai realmente variar de uma escola a outra.

Algumas são subvencionadas pelo próprio governo.  Estas respeitam limites impostos.

Máximo de 200 $ para inscrição

50$ para admisssão

e o custo com a mensalidade por um ano tem teto de :

3 362 $ pré-escolar

3 076 $ primário

3 981 $ secundário

Voltemos ao ensino público gratuito.

Estes são os seguintes gastos que você deve levar em conta para o seu filho.

Compra de material escolar.

No início do perído escolar você recebe a lista com o material a ser enviado para a escola. A lista pode variar mas é bem barata. Lápis de cor, massinha, mochila. Uma bela compra não passa de 100 $.  Algumas instituições dão este material gratuitamente como a Mission Bonne Accueil.

Já o material didático e manuais escolares são gratuitos.

Serviço de guarda

Se o seu filho precisa chegar na escola antes do horário de abertura, não se preocupe. Existem profissionais que podem cuidar dele. Antes e depois do horário regular da abertura dos portões.  O serviço do dia inteiro custará 7 $. Mas se você optar que as guardiãs cuidem dele somente no horário de almoço este serviço custará entre 3 $ e 5 $.

Mas lembre-se. Caso você seja uma família com ganho anual baixo. Este valor pode cair para 1$ diário.

Almoço

Você pode optar pelo almoço em casa. Ou você mesmo pode preparar o almoço. Mas lembre-se, mesmo que o seu filho almoçe o que você preparou mas na escola, você terá que pagar o serviço de guarda.  Já se a merenda for preparada pela escola o preço varia entre 3,50 $ e 4 $.

Dia pedagógico

Custa em média 7 $ e você pode optar pelo serviço ou não. Funciona da seguinte maneira. Imagine um feriado. A escola então promove um passeio para uma colheita em uma fazenda de maças. Caso você opte pelo passeio terá que pagar 7 $. Mas o seu filho pode ficar em casa neste dia.

É bom você separar o gasto anual em média de 1.600 $ por filho.

Saindo um pouco fora do assunto custo existe ainda algumas informações preciosas sobre educação no Quebéc.

– No Quebéc, mesmo o ensino sendo obrigatório dos 6 aos 16 existem exceções. Estão dispensados da obrigatoriedade alunos com algumas doenças específicas, handicapés,  expulsos da escola ou instruídos em casa. Ficou curioso com o último né. Isso mesmo, seu filho pode ser educado em casa. Uma grande tarefa aos pais que eu nem me atrevo a comentar.

Em 31 de Julho de 1974 a língua francesa passou a ser reconhecida oficialmente como o idioma comum de todos os Quebequenses. E segundo a Carta de Valores do Quebéc, adotada em 1977, as crianças que frequentam o ensino público ou privado financiado pelo governo do Quebéc devem estudar em francês até o secundário. Mas você pode obter permissões para que seu filho frequente uma escola anglófona, caso realmente seja algo importante para você.

A alternativa fica a critério daqueles que virão passar apenas uma temporada. Como você não é residente do país e sim um trabalhador ou estudante temporário, seu filho tem direito a educação do país e pode optar entre inglês ou francês.

Resumidamente é mais ou menos assim.

Autorizados a estudar nas escolas em inglês no Quebéc.

– Se o aluno recebeu a maior parte de seu ensino em inglês no Canadá. Seus pais devem ser cidadãos canadenses.

– Se os irmãos receberam a maior parte de seus ensinos em inglês, com pais cidadãos canadenses.

– Se os pais realizaram a maior parte de seus estudos em inglês.

– Se a criança apresenta dificuldades sérias no aprendizado em francês e o inglês no caso seria um facilitador. Isto precisa ser comprovado por um especialista.

– Como dito na reportagem exibida no www.montrealnareal.com todos os filhos de estrangeiros que virão ao Quebéc poor uma temporada curta.

Tudo isso detalhado você encontra no site do governo no

www4.gouv.qc.ca/FR/Portail/Citoyens/Evenements/immigrer-au-quebec/Pages/frequentation-ecole-anglophone.aspx

Rogério Tanganelli

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Mon jour d’automne …

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J’ai perdu la bonne heure. L’horloge m’invite à courir. Je suis pressé. À la place de s’habiller, les enfants jouent. On est en retard. Le trottoir mouillé, les feuilles jonchées par terre déclarent, aujourd’hui que tout est changé. Le bus scolaire arrivé. L’automne dehors; à l’interieur les enfants chauffés. Je dis au revoir à mon garçon. A chaque fenêtre un sourire, à chaque vitre brouillée un oeuvre d’art. Les dessins sur les verres glacés déclarent qu’il faut encore rêve ……

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Canadá. Com filhos ou sem ? 

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O título até assusta eu sei. Como assim vir sem filhos para o Canadá. Claro que é impossível se separar das pessoas mais importantes de sua vida. Mas por um período curto a ideia pode ser interessante.

 

Quando eu e minha esposa resolvemos entrar nessa de imigração passamos pelas mesmas etapas que todo mundo já conhece, ainda que na teoria. Arrumar o primeiro apartamento, trabalho, dinheiro, malas, escolha do bairro, documentos e a lista infindável de coisas a resolver antes da partida. No nosso caso resolvemos que eu viria na frente pra preparar o terreno. E tento listar agora alguns prós e contras desta escolha. Obviamente, este é um post destinado muito mais às famílias desta empreitada que a qualquer outro perfil. Mas fiquem à vontade.

O primeiro ponto ao meu ver é você saber avaliar as armas disponíveis para o seu projeto. Nem sempre contamos com a combinação perfeita que seria: dinheiro, muita informação e uma vaga de emprego definida antes de sair do país. Por isso são exatamente estes fatores que podem definir a sua estratégia.

Deixo claro aqui que tudo se trata de escolhas e não há um único caminho.

* Moradia.

Contra –

Chegar com a família requer um espaço maior e melhor. Se você vem com um bebê e filhos pequenos vai precisar de um apê mais bem equipado e de um lugar todo para a família. Isso nem é algo difícil de se arrumar. Uma boa pesquisa você aluga um belo apartamento, bem localizado e completo para o primeiro mês. O problema vem com a busca pelo residência definitiva. Você e sua esposa vão precisar andar bastante pela cidade e as crianças acabam atrasando um pouco esta busca. Como a cidade é repleta de parques, duvido que eles irão olhar um e não vão pedir um pit stop. E você não vai resistir a carinha deles. Eles ainda se cansam facilmente, precisam de horários mais restritos e regulares para comer, dormir e isso reduz a tua agenda. Vai precisar de um carrinho ou de muita força para carregá-los. Você pode resolver este detalhe de duas maneiras. Colocar seus filhos temporariamente num serviço de “garde”. Ou, um dos dois faz a primeira visita e depois a família volta junta para a decisão final.

Pró –

Toda família pode dar um aval de uma única vez  na decisão da moradia, sentir o bairro e sua primeira impressão. As crianças, que tanto encheram a paciência no trajeto ( maldade com elas ) podem até ser o fiel da balança no ultimato do casal.

– Se um dos dois vem na frente o problema é resolvido rapidamente com o skype. Minha esposa visitou todos os apês junto comigo virtualmente.

* Mobília.

Contra –

Se o seu imóvel não está mobiliado este é mais um contra de vir com a família. Você precisa comprar todos os móveis e colocar nas costas muitos deles. Para quem quer economizar, vai precisar comprar móveis usados em locais distintos e vai precisar do frete e mão de obra para carregar os presentinhos. Tudo isso requer muito planejamento e tempo. Eu aluguei um caminhão pequeno da Uhal e passei com dois amigos fazendo a limpa nos lugares de destino.

Quando você está sozinho dorme os primeiros dias num colchão inflável sem os utensílios da cozinha até que tudo fique pronto e não chora por isso. O mesmo com filhos é complicado ainda que não seja o fim do mundo. Este problema só se resolve de uma forma e a solulção se chama dólares. Você pode ir numa loja, comprar tudo de uma única vez e mandar entregar em uma semana. Lógico que a brincadeira vai sair bem mais cara.

 

* Documentos.

Pró –

Vir com a família é sempre melhor neste caso. Você faz a peregrinação dos documentos uma única vez. Assurance maladie, RP, NAS, contas bancárias, poupança para os filhos, caso queria adiantar e principalmente o benefício das crianças. E a coisa começa a funcionar bem mais rápido e o delay de chegada é o mesmo. No meu caso, como cheguei antes, estou com documentos prontos que eles ainda vão demorar 3 meses para receber.

 

 

Contra –

Você por exemplo não pode dar entrada nos benefícios das crianças, obviamente, antes que eles cheguem aqui. Pode até adiantar a papelada, mas não pode dar entrada.  Também não pode matriculá-los na escola, somente na garderie. Na comissão escolar por exemplo seus filhos precisam estar lá no dia da inscrição. Os benefícios do governo para a manutenção dos seus filhos funciona igualmente. São enviados para a conta da esposa, portanto você fica de mãos atadas. Precisa do NAS dela. Você também não consegue fazer a inscrição da francisação para a esposa ou vice-versa. Precisa de dados que só terá no momento em que todos estejam aqui.

* Mercado de trabalho

Pró –

Vir sozinho te dá mais tempo para uma bela pesquisa e maior concentração na busca pelo primeiro emprego. Você pode fazer com mais tranquilidade os cursos oferecidos pelo governo de curta duração pra organizar seu CV sem preocupações em sair correndo para buscar as crianças na garderie. Pode ir a entrevistas de trabalho sem ter ainda resolvido problemas de base para a casa. Ao meu ver você pode inverter as fases. Muita gente deixa pra buscar o emprego depois de arrumar a casa. Eu fiz o camino inverso. Arrumei primeiro meu emprego, para depois arrumar moradia. Novamente uma questão de escolhas e oportunidades. Cada área profissional uma sentença.

Contra –

Em muitos casos a mulher é o carro-chefe dentro da família quando o assunto é emprego. Ela pode por exemplo fazer parte do grupo de profissões em alta demada e retardar sua busca para que o marido faça o processo inicial de chegada. Isso pode ser um contra ao meu ver. Por que maridos podem até ser bons pais, mas ainda estou pra conhecer os que são capazes de passar dois ou três meses com filhos pequenos sem a ajuda da mãe. Acho que não existem.

* Custos.

Contra –

É claro que vir a família toda de uma vez sai bem mais caro. Por isso aqui entra o seu planejamento financeiro. Para quem vem com mais reservas não há problema. Mas se a economia está em pauta é bom pensar em um dos dois vir primeiro. No começo você tem menos noção de preços. Se olha algo por 50 dólares acha mega barato. Após um mês começa a ver que 50 dólares é muito dinheiro, por que aqui a moeda rende. No começo você só vê o dinheiro ir embora e obviamente gastar pra um sai mais em conta que o gargalo de várias cabeças. As necessidades iniciais são muitas. E se você ainda não arrumou seu emprego vai ter que multiplicar o gasto sempre. Transporte, alimentação, vestimenta, medicamentos, etc.

Pró –

Cozinhar em casa é bem mais em conta e saudável. Com família você dá prioridade para as refeições em casa. E um dos dois pode cozinhar, o que gera uma bela economia.

 

* Emocional.

Aqui vou colocar um balanço final. Se você perguntar para um casal que veio junto com os filhos dificilmente escolheriam outro caminho. O meu post é baseado em relatos de alguns amigos que vieram com os menores. Apesar das dificuldades iniciais, não fariam diferente. Viver junto as experiências e os desafios iniciais é muito legal. E isso é uma lado positivo. Sempre dá confiança estar ao lado da família. Voltar para casa, ou mesmo sua pousada temporária, e poder morder os filhotes não tem preço. Mas o mesmo serve para o caso de quem veio na frente. Eu por exemplo não faria diferente. Quando minha esposa chegou não teve que colocar uma colher dentro de casa. Estava tudo pronto. Do pano de prato, passando pela mobília e serviços. O conforto e a falta de preocupação para itens básicos pode compensar os dias intermináveis de distanciamento. O fato de você já ter vencido certos desafios e medos dos primeiros momentos pode dar confiança para os recém-chegados da família. Muito difícil poder esgotar o assunto e até mesmo dar um ultimato. Como vimos existem os dois lados para tudo. Não há melhor nem pior neste caso. De novo voltamos ao planejamento de cada família, uma boa conversa e um estudo do perfil de cada um. Boa viagem e bom processo a todos.

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A GUERRA DAS LÍNGUAS.

Françês x Inglês no Québec.

language war ...

Não sou grande fã deste estilo de texto em tópicos, mas muita gente gosta. Então lá vai.

Análises pessoais da “batalha linguística” entre os idiomas em Montréal, a cidade bilíngue.

*Responsabilidade jurídica.  Trata-se de uma brincadeira. Para você que vai ler e dizer: “Ai, moro aqui há 10 anos e não vejo nada disso.”  Beijinho no seu bumbum.

1 – É possível viver apenas com o idioma inglês, sem falar francês em Montréal ?

Sim. Aqui é possível viver só com o inglês, assim como é possível viver só com o mandarim, só com o português, como você pode sobreviver sem falar nada também. É bem difícil, pode acreditar, mas é possível. Esses dias minha vizinha chinesa saiu na porta para tirar uma dúvida minha e do técnico da operadora de tv a cabo dizendo assim. “No French, No English”. E eu respondi em bom português da zona leste de São Paulo. “Cumé é que noix faiz intão tia”. No caso ela não fez, ficou para nós.  Tem gente que mora em Montréal há 10 anos e não fala uma palavra de francês e ainda chama os francófonos de separatistas linguísticos.  Você pode frequentar a melhor universidade dos caras que é em inglês, ter um bom emprego, comércio, vizinhança e vida sem precisar de uma palavra em francês.

2 – No caso eu trabalho numa grande empresa, ganho milhões por ano e sobrevivo só com o inglês. Para que eu preciso do Francês ?

Novamente. Para nada, se você tem muito dinheiro por quê teria que gastar tempo aprendendo a língua de Molière. Aliás, este é um dos bons argumentos para quem está louco para meter o pé de Montréal.  Num piscar e olhos o Francês se torna um dos maiores empecilhos para o sucesso dos reclamões. De uma hora para outra o francês se torna um monstro, um massacre linguístico que quer destruir esse bom moço. Mas para você que não é bobo vai querer aprender um idioma a mais não vai ?  Por quê falar um enquanto se pode falar dois ou mais idiomas.

3 – “Tem gente que fala que a língua que eles falam no Québec nem francês é”.

É verdade. Eles balbuciam uma língua tribal.  Para quem não se esforça em aprender o francês todas as línguas podem ser avaliadas a partir da opinião alheia.  Mas para quem tem um longo caminho de aprendizado é francês sim e bom francês. Não caia nessa balela. Como em qualquer outro idioma tem quem conjuga errado, usa gíria, vocabulário reduzido e por aí vai. Todos nós passamos por isso no aprendizado de um novo idioma. Eu me encaixo aí. Mas nos jornais, periódicos, literatura, universidade, restaurantes e entre pessoas com uma formação escolar boa o idioma é alto nível. O sotaque é bem diferente da língua corrente na França, mas respeita as mesmas regras gramaticais e quem domina usa todos os recursos linguísticos cabíveis no francês.

4 – Se eu não falo bem um dos dois idiomas irei sofrer por isso ?

Sim, principalmente na mão daqueles que usam a língua como uma forma de opressão ao próximo. Tem gente que não quer se comunicar, quer mostrar que estudou na Aliança Francesa 5 anos ou morou em Bagaladesh por 4 meses. Então ele vai sempre comparar o nível do idioma dele com o teu, só para satisfazer o ego dele. Geralmente aí é onde se encaixam muitos imigrantes, entre eles brasileiros. Para esta classe a língua é um elemento criado apenas para fins de competição. Mas para você que quer se comunicar com pessoas legais não se preocupe, elas estão interessadas em escutar o que você tem a dizer e por isso vão respeitar seus esforços. Outro detalhe importante. Você pode dominar perfeitamente uma língua e ao mesmo tempo só falar M. O domínio do idioma não garante a você boas idéias. Mesmo usando classicamente pronomes e afins você pode continuar um tremendo de um bobão.

5 – Em qual o nível o meu idioma deve estar para eu conseguir bons postos de trabalho?

Um bom nível é claro. O nível do seu idioma vai ajudar também você a definir o seu nível social. E lembre-se. Aqui existem imigrantes de todos os países, muitos chegam aqui com inglês e francês como linguas de base. Portanto, estude o máximo possível. Mas dê tempo ao tempo. Assim como você outros imigrantes tem como língua materna idiomas distintos e o mercado de trabalho sabe disso. Não espere também a perfeição gramatical para abrir a boca. Simplesmente fale. Comunique-se. No mesmo nível do seu idioma tem que estar a sua disposição, seu espírito. Um sempre ajuda a compensar o outro.

6 – Meu amigo disse que os Quebecas são meio da roça e que muitos não falam inglês?

Tem uma galera sim que parece ter vindo direto da roça lá de Minas Gerais onde mora minha família e onde passei parte da minha infância direto para as ruas. Usam um R meio caipira, são meio provincianos no pensar e tropeçam toda vez que tentam falar inglês. Mas também tem aqueles que o inglês e o francês são como se fossem um idioma apenas. Não exitam nem um pouco na hora de transitar entre um e outro. E este geralmente é aquele que vai te engolir no mercado de trabalho. Então não abandone nem um dos dois idiomas. Quanto mais melhor.

7 – Trabalho em TI e só falo inglês. Minha profissão não exige francês.

Pois é, a profissão não exige mesmo. Em muitos casos a profissão não exige nem mesmo que você fale.  Mas a piada no ambiente de trabalho sim essa exige. A propaganda da TV também. A conversa com aquela senhora da esquina muito mais.  O sorriso da funcionária da repartição pública também exige o francês. A transmissão de futebol. O filme. E toda sensibilidade contida nesta língua espetacular. Mas talvez os bites possam compensar tudo isso.

8 – As pessoas torcem o nariz para o inglês ?

Não acredito. Eu pelo menos vejo que muitas pessoas até se esforçam demais para falar o inglês. Existe uma geração que foi aprender o inglês bem mais tarde. Então não dominam a língua assim como dominam o francês.  São aqueles que em casa falam francês com pais e irmãos. O contrário também existe. Tem gente que tem o inglês como primeira língua, mas desenrolam bem no francês. Mas é muito mais comum os francófonos desenrolarem o inglês que o caminho inverso. Talvez alguma pesquisa possa me desmentir nesse ponto. É só um ponto de vista. Quem nasce com inglês de base às vezes se acomoda e não quer nem saber de francês. Isso por quê é possível viver sem problemas assim, manter uma vida completamente anglófona. Mas assim como para nós, para eles o bom versado nas duas línguas também  é um status. E principalmente jovens não querem ficar de fora dessa. Eu aconselharia para quem está chegando em Montréal focar bem mais no francês. Até por que brasileiros são mais adaptados ao inglês.

9 – Existe uma guerra da língua ?

Sim e não. Mas a briga dos Quebecas com o lado anglófono vai bem mais além do que questões linguísticas. O Canadá é um país de imigrantes. É realmente uma torre de babel nas ruas. São milhres de línguas e eles não estão muito aí se você está falando em árabe ou espanhol. Mas na hora de falar com eles sim. Aliás de alguma forma você tem se comunicar. Existe uma lei para proteger o francês por aqui. Então no lugar de “shopping” eles vão dizer “centre d’achat”. E assim é para tudo. Em todos os produtos no mercado tem que ter as duas línguas contidas.

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10 – Então qual língua ganha essa batalha ?

Se toda guerra fosse assim o mundo seria bem melhor. Por mais que alguns fiquem tristes e existam rusgas entre os combatentes no fim é um barato, não há mortos, apenas feridos. Existe toda sorte de explicação. Que o Québec perde dinheiro, empresas vão embora, que a proteção é idiota. Tem quem ache que é um forma de preservação da cultura, da tradição e por aí vai. Particularmente gosto da idéia de poder se expressar em ambas e que elas possam sempre conviver em harmonia, ainda que isso seja quase uma utopia. Mas convenhamos, o francês é bem mais charmoso que o inglês. Uma língua que flerta bem mais com o nosso amado e complexo português …. mas aí também é questão de gosto ..

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Os primeiros desafios ….

 

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Estou completando a terceira semana em Montreal, como residente, não como turista. Digo isso por que existe uma grande diferença entre as duas categorias. Como turista eu diria que a cidade é linda, e olha que tive tempo para desbravar apenas 0,9% da cidade.  O transporte apesar de não ser o mais limpo é de uma eficiência impar, restaurantes e serviços igualmente eficientes. E uma população receptiva e respeitosa. Tudo funciona muito bem. Realmente um país de primeiro mundo. Desafio qualquer um a passar uma semana por aqui e não se apaixonar. Mas o meu blog tem destinatário certo. O companheiro de labuta neste processo de imigração. Somos cidadãos canadenses em formação, não turistas. E por isso você tem que estudar muito antes, ter foco e aprender assimilar a cultura, entender como as coisas funcionam por aqui, como elas se movimentam. Pode saber que isso não se aprende nas primeiras semanas, muito menos nos primeiros anos. É um processo de uma vida inteira, desafiante. E vai por mim, apesar das semelhanças, a mentalidade em terras geladas é outra. De cara quero te preparar para as dificuldades. Se fosse fácil não teria graça e não seria um processo tão exclusivo.   A chegada se resume assim.

1-      Encontrar o lugar que você vai ficar as primeiras semanas ou o primeiro mês. A maioria aluga do Brasil. Apartamentos que geralmente custam mais caros. Ou você fica na casa de conhecidos. Se tiver essa ore e agradeça ao Pai. Hotel e albergues custam caros e você tem menos privacidade e prazo bem definido de saída. Ou seja, você precisa acelerar o segundo ponto.

2-      Achar o seu apartamento definitivo. Este é o mais cansativo. Você não conhece os bairros, não conhece as escolas que seus filhos irão estudar, nada. Você tem apenas idéias. Por mais que você tenha lido tudo sobre Montreal não viveu aqui. Você ainda não tem crédito e precisa convencer os proprietários que é bom pagador. Você não conhece a vizinhança. Sim, aqui tem bairros não muito agradáveis onde a maioria vive apenas com a ajuda do governo. Ou seja, você precisa camelar, andar muito e pedir muita informação para os mais descolados que conhecem o pulo do gato. Também precisa ver quais bairros oferecem mais serviços, como mercados, academia, farmácia e por aí vai.

3-      Igualmente você precisa andar para correr atrás dos seus documentos. Tirar sua carta de seguro social, sem ela você não trabalha, a de saúde, comprar seu celular e abrir sua conta bancária, pedir seu cartão de crédito, cheque e tudo mais. Lembre-se. Trata-se de um círculo. Para se registrar no sistema de saúde você precisa de um contrato com um serviço de uma empresa canadense constando seu endereço, como por exemplo um contrato da operadora do celular. Mas a operadora vai lhe pedir um endereço e lembre-se você ainda não tem o seu definitivo. Então você vai usar o de um amigo para mais tarde mudar o endereço.  Isso serve para todos os outros serviços.

4-      Aí começa a sua busca pelo curso de francês. Precisa aguardar uma vaga, que pode demorar 3 meses para os casos de curso a tempo pleno, aquele que você recebe uma ajuda do governo.  Nos cursos parciais é mais fácil. Pode começar rápido. Quando chegar já saiba o que quer. Mas pode ser que você não seja elegível. Detalhe. Você vai estudar perto de onde for morar. Então volte ao ciclo descrito acima. Você pode estudar longe da sua casa, mas no inverno não sei se é uma boa idéia.   

5-      Crianças é um caso a parte. Igualmente você só irá realizar a matrícula do seu pequeno após o contrato do seu apartamento. Você deve ir até a comissão escolar que corresponde ao endereço de sua residência e eles irão te encaminhar à nova escola. Garderie ou creche é outra coisa. Geralmente as vagas são reduzidas e você precisa entrar numa lista de espera. Para quem vem com filho é cansativo. Tem que andar pra cima e pra baixo pra resolver tudo isso que estou escrevendo acima com os menores, além das brincadeiras, comida e descanso. Ou criança passa um dia sem brincar só em escritórios escutando uma língua estranha ?

6-      Acrescente a tudo isso a língua. Quer ser bem recebido. Fale francês. Inglês funciona, mas aqui eles falam francês. Isso só para os serviços. Para o trabalho o seu nível deve ser bem melhor.

7-      No começo você precisa ficar atento também a sua alimentação. Além de se nutrir bem, comer fora pode ser caro. Se comer fora todos os dias, vai gastar em média uns 300 a 400 dólares no mês. Até por que você ainda não sabe onde estão os bons e baratos restaurantes. E fast food depois de 2 dias niguém merece. Para cozinhar você volta ao ciclo. Tem ap com cozinha mobiliada ou não ?

8-      Vamos ao caso então daqueles que alugaram seu ap. Isso pode demorar 2 meses ou você pode vir do Brasil com o ap alugado e tudo mais. De toda forma na maioria dos casos você precisa mobiliar. Comprar utensílios, móveis, em alguns casos geladeira, fogão, lava roupas. O básico. Não sei se você percebeu, mas eu nem quis fazer conta. Mas em cada item deste vai colocando na sua cabeça as cifras. Veja quanto dá a brincadeira no final e em alguns casos multiplique em casos de famíia. E no começo o dinheiro só vai embora, não entra. A não ser que você chegue empregado.

Neste ponto já lhe digo uma coisa. Pode vir gordinho, por que o tanto que você vai caminhar dá pra perder alguns quilos.

Tudo exige um planejamento. Ligar pros proprietários dos apartamentos. Visitas jogadas fora. Auqles apartamentos que você detestou. Ir aos shoppings para comprar itens de urgência, como o celular ou uma panela. Repartições públicas. Descobrir endereços dos órgãos e os melhores lugares dos centros de apoio. Isso por que ainda não entrei na área mais sensível, o primeiro emprego.  Só em Montreal existe sem brincadeira nenhuma uma centena de organismos que ajudam os imigrantes. É difícil escolher um e o que mais se encaixa no teu perfil. Mas quando o assunto é emprego, você precisa fazer de cara um curso obrigatório pela Fondation Ressources-Jeunesse para usar qualquer uma dessas agências. Dura só uma semana inteira das 9 da manhã às 16.00hs. E sem o atestado você não pode usar os serviços das agências de emprego. Então imagina tudo isso que você tem que resolver acima, mas não nesta semana, por que ela será dedicada ao curso.

        E aqui entra o ponto mais agradável. O emprego. Onde todos imigrantes, médicos, advogados, jornalistas, administradores, arquitetos, músicos, enfermeiros, sabem que vão chegar aqui e encontrar um emprego em uma semana. Eu disse esta última frase quase com um tom de ironia. Juro que cheguei a dar aquela risada sarcástica do lado de cá do PC com onos filmes de vilões malvados. Isso por que existe duas classes de imigrantes. A primeira eu admiro mais que a segunda. São os que arregaçam as mangas e estão pronto pra guerra logo de cara. E tem aqueles que vão protelando, dando desculpas, reclamando das burocracias, se fazendo de vítimas, dizendo que niguém o aceita e mimimimi e chororô. E a pior característica é claro. A arrogância. Pode ser que você encontre alguns deles nos comentários do facebook. Qualquer dia escrevo sobre este perfil.

O resultado em muitos casos é o seguinte.  1 ano sem trabalho. Tirando exceções e o pessoal de TI, a chapa aqui é quente. Tem concorrência forte, tanto quanto no seu país de origem. E obviamente tem muita gente qualificada. Pra cada 10 portas na cara, você vai ter uma entrevista. E nesta primeira entrevista você deve não passar.  Repita o ciclo 5 vezes e aí está o teu emprego. Não estou te desencorajando. Esta é a estatística. Você pode estar fora dela e torço por isso de coração. Teu emprego vai chegar. Isso é certo. Mas tem gente que acha que os empregadores estão te esperando de portas abertas por que você é recém chegado. Amigo, tem francês, belga, marroquino, inglês, nego da Costa do Marfim, Tunisia, gente que fala um francês perfeito em muitos casos na memsa fila e com formação internacional. Você precisa arregaçar as mangas mostrar pro que veio. A preparação é longa e exige estratégia. Já tenho visto médico e engenheiro se mandando daqui após 4 meses. São anos para a validação dos diplomas deles. Foram para outras próvíncias. Tem gente graduada que chegou do Brasil com todo tipo de diploma e deixa pra correr atrás do emprego bem mais tarde. Depois de 4 meses começa se preocupar. Gente que ganhava bem no Brasil,  padrão bom de vida e começa a ver a grana ir embora e precisa correr atrás do primeiro emprego. Mas ele só fez turismo nos primeiros meses. Muitos não estão preparados para pequenos serviços, considerados no Brasil humilhantes.  Não tem humildade e nem jogo de cintura. Aí depois de 6 meses começam a mudar de idéia. E encaram o novo desafio como uma situação de frustração. – Depois vou fazer um post melhor sobre as características do mercado de trabalho. Na verdade vou reproduzir o curso que tive esta semana –

No geral o pessoal aqui está cagando se você limpa chão ou se você é presidente de empresa. Uma empresa não vai deixar de te contratar por que você foi babá algum dia, ou empacotador numa empresa. Pelo contrário, isso pode contar pontos ou não também. As variáveis são muitas. Mas aí cada um cria sua estratégia. Outra coisa difícil é os caras terem tanto orgulho do seu diploma quanto você o tem. Você pode ter trabalhado nas melhores empresas do Brasil, mas pode ser que eles não conheçam nenhuma. E aí você vai ter que mostrar na prática, por que eles estão cagando pro papel que você está mostrando pra eles. Pode até ser um papel falso. E aí talvez a referência do mercadinho de esquina vale bem mais que a referência da empresa de 400 funcionários que você trabalhava no Brasil. Antes que os afoitos comentem, não significa que sua experiência no Brasil vai ser jogada fora, mas ela precisa ser adaptada. Por isso você vai fazer um CV no padrão deles. Eles valorizam mais o “savoir faire” que os títulos.  Suas competências práticas são valiosas aqui e é isso que você precisa mostrar. Eu sei que é difícil para um profissional que ganhava 10 mil no Brasil ter que entrar numa empresa como estagiário aos 30 anos ou mais e trabalhar de graça, sabendo que a segundo a estatística só 20 % são contratados após este estágio. Sei que é difícil para um médico formado na USP não ser reconhecido como médico aqui. Mas aqui funciona aqui e você vai ter que validar seu papel. Por isso é preciso coragem para imigrar. Não é turismo. Se quer turismo faça um pacote Montreal Paris. São várias as opções e cada um tem um caminho válido e uma experiência a compartilhar. Isso é um panorama, uma visão minha. Algo comum que se repete. Mas existem centenas de casos.

Vou dizer no que eu acredito. Venha com a expectativas mais baixas e vai aumentando gradativamente. Pense num projeto a curto, médio e longo prazo. A curto prazo significa fazer a roda girar. Se você tem dinheiro para se manter 1 ano sem trabalhar, ok. Aproveite a oportunidade. O médio prazo pra mim obrigatoriamente precisa passar por uma formação. Você precisa pensar em estudar. Talvez seja um dos melhores países do mundo para se estudar. Eu mesmo em 2 semanas já procurei 2 universidades. Semana que vem tenho uma entrevista em uma escola técnica. Um certificado aqui pode validar ainda mais teu CV, tua formação. Pense em aprender bem a língua, o desafio é grande. E a longo prazo pense em se estabelecer no campo de sua formação. Só não seja imediatista. As coisas irão acontecer a longo prazo. Pode ser que você consiga uma função na sua própria área bem rápido. Isso é muito comum também. Pode ser que você seja diretor no Brasil e aqui vai começar como auxiliar, mas em três anos ou menos você pode ter um cargo de chefia com um baita salário. Pense na sua imigração como etapas e nos sacrifícios e esforçoes que precisam ser realizados. Eu mesmo trabalhei 15 anos nas principais emissoras de TV do Brasil. Em duas semanas arrumei dois empregos. Nos dois sou graçom. Ainda estou em avaliação nos 2. Junto comigo tem um albanês com mestrado em sociologia. Um outro candense que fala 4 línguas fluentemente, uma delas o português, formado em economia. O resto só tem bobinho. Urbanista, arquiteta, administradora ex-funcionária da IBM, jornalista colombiano e por aí vai. Todos tem algo em comum. Trabalham para juntar uma grana e dar continuidade aos projetos maiores. Não vejo ninguém chorando. Então não deixe ninguém pensar que você está sendo limitado por que decidiu arregaçar as mangas e criar seu ambiente de contato seja num restaurante, ou limpando um escritório. Mostre a essa pessoa que você pensa grande, que você quer muito da vida, que você tem planos de uma grande carreira. Mas que você é humilde o suficiente para aprender sempre, para recomeçar do zero. Mostre que você é corajoso demais desbravar uma nova sociedade, para receber porta na cara e erguer a cabeça e seguir em frente. Mostre que você levantou sua bunda do Brasil e foi dar as caras em terra alheia, no lugar de ficar dizendo que está cansado do país. Aceite estágios, trabalhos benevolentes e não perca o foco, o seu momento vai chegar. O Canadá é realmente um país de oportunidades e eu tenho certeza que você será feliz em sua nova experiência, por isso faça com que ela seja valorosa.  Para quem chegou até aqui no texto com esta paulada não de dificuldades eu diria de desafios, saiba que para cada um existe uma solução sempre ao alcance. E não fica de buá buá. É difícil, mas tem coisas bem piores na vida. Como eu disse lá em cima, você vai se encantar, ainda mais com o passar do tempo. A brincadeira de imigra é bem legal. E existe muita gente local boa, já fui bem ajudado, além de imigrantes brasileiros parceiros, eu mesmo já ganhei irmãos, divido apartamento no momento com dois deles. No mais oro por todos e me coloco à dispoição. Estou com a agenda lotada como vocês podem perceber, mas dá sempre pra encontrar um jeito.  Bisous les gars …….. Deus é bom em todo tempo … 

 

já ia esquecendo. O “Boston” de chocolate do Tim Hortons vale a viagem.. Ontem comi dois dele..  

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Locação de imóvel.

Gente! Pra quem está chegando e precisa de um bom corretor aí vai uma dica boa. Claude Lafrance – 514-705-2571. http://www.claudelafrance.com claude.lafrance@remax-quebec.com.    Ele me ajudou a alugar um apartamento em menos de uma semana por aqui. Não tem segredo também não. Ele não pode fazer nada mais que outros corretores fazem. Que é te ajudar na procura, ajudar com documentação e te ajudar na assinatura do bail. Gostei dele pela atenção e cuidado. Detalhe importante, consegui usar meu extrato bancário do Brasil para mostrar que eu tinha renda suficiente nos últimos meses. Isto mesmo. Mandei um extrato dos ultimos 3 meses da caixa. Faça sempre atenção a todos os detalhes do contrato. O Bail geralmente é simples, pouco burocrático e se compra em qualquer papelaria. Aqui no Canadá é proibido o proprietário pedir aluguel de avanço, mas é uma prática muito comum para quem chega sem crédito como nós brasileiros. Eu mesmo paguei o último mês do contrato do meu aluguel adiantado. O recibo deste mês adiantado veio no próprio contrato. Então não se esqueça. Se der algo em avanço certifique-se de ter o recibo em mãos. O resto você dá em cheques datados ou paga a cada mês. Detalhe, um corretor pode te alugar o mesmo ap que outro corretor também está alugando, como no Brasil. No meu caso o meu corretor entrou em contato com o corretor que tinha contato direto com o proprietário do imóvel. Você não paga pelo serviço do corretor e sim o proprietário. Pelo menos comigo foi assim. Não paguei nada a mais do que estava em contrato. Os canadenses parecem muito diretos e é bom perguntar sempre se o aluguel inclui eletrecidade ou não e fogão, geladeira e máquinas de lavar e secar. A maioria dos aps vem com isso tudo incluso. Qualquer dúvida é só perguntar. Espero ter ajudado um pouquinho os amigos. Depois vou escrever com mais calma aos amigos sobre este assunto. Deus abençoe a todos …

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Primeiros passos. Documentação para novos imigrantes.

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PRIMEIROS PASSOS CANADÁ

Fiz um passo a passo para a minha chegada em Québec e compartilho aqui com os amigos. Lembro sempre que trata-se de uma pesquisa própria, e nada oficial. Então caso você tenha algo a acrescentar, ou até para me corrigir é só falar. Assim refaço e compartilho a todos os companheiros na rede.

Não deixem de ler também este site abaixo com dicas valiosas.
http://www.canadavisa.com/landing-settlement-canada-quebec.html

1 – Documentos para embarque e “landing” :  ◊

Este pode parecer óbvio, mas como sempre não é. Tem muita gente com muita dúvida sobre quais documentos devem ser apresentados na imigração no Canadá. Então segue o que separei.

– Passaporte válido com o visto Canadense.

– Carta de residente permanente (Confirmation of Permanent Residence 2 vias ) 1 com foto. Você irá assinar este documento em frente a um agente de imigração. Não assine antes.

– CSQ. Isso mesmo, não esqueça seu Certificado de Seleção do Québec em casa.

– Formulário preenchido a mão ainda dentro do avião.

– Comprovante de renda. Dinheiro, extrato bancário, investimentos, cartão de crédito. Tudo que possa mostrar o quão preparado você está para a nova vida.

– Para as crianças é preciso o carnê de vacinação conforme descrito em post anterior meu.

– Endereço de chegada e contato de alguém no Candá, caso você já tenha. ( você já pode pedir o envio do seu PR cadr para este endereço )

2 – ENDEREÇO DE CHEGADA APARTAMENTO TEMPORÁRIO OU DEFINITIVO :

http://www.stm.info/fr

Este site é bem legal e traça o itinerário seu dentro de Montreal com o passo a passo. Do ônibus, passando pelas estações de metrô, até as ruas que você irá andar até chegar ao seu destino final.

3 – CARTE D’ ASSURANCE – MALADIE.

Aqui é a sua carta seguro saúde. Lembre que o quanto antes você der entrada, antes você estará coberto. Olhem os endereços dos escritórios no site, o mais próximo de você.

http://www.ramq.gouv.qc.ca/fr/Pages/accueil.aspx

Documentos necessários

• sa carte de résident permanent, ou tout autre document délivré par les autorités canadiennes de l’immigration attestant son statut de résident permanent au Canada accompagné de son visa;
• son certificat de sélection du Québec, dans la plupart des cas.

4 – NAS ( NUMÉRO D’ASSURANCE SOCIALE)

Este é o documento que lhe permite trabalhar. Se eu não me engano você pode dar entrada neste documento ainda no aeroporto. Mas aqui segue o site e alguns endereços.

http://www.servicecanada.gc.ca/fra/sc/nas/

DOCUMENT-Confirmation de résidence permanente et visa autocollant apposé sur un passeport étranger ou un document de voyage.

5 – ORGANISME D’AIDE AUX IMMIGRANTS.

Este são alguns sites que irão te ajudar na hora de você marcar uma entrevista por telefone ou encontrar um endereço dos escritórios de ajuda aos imigrantes. É aqui que você irá encontrar ajuda na construção do seu CV, cartas de referência, cursos e outras coisas.

6 – COMPRAR CELULAR.  ◊

Este link é bem legal e faz um comparativo entre todas as empresas de telefonia no Canadá, valores e os serviços oferecidos.

7 – FAZER CARTA DE TRANSPORTE.

8 – CARTE DE RÉSIDENT PERMANENT.

Bom. Como foi dito a carta RP pode ser solicitada logo no seu landing. Mas neste site segue as instruções caso você tenha mudado de endereço ou não tenha obtido sucesso no recebimento.

Je suis un nouveau résident permanent du Canada. Dois-je demander une carte RP?
Non, nous vous ferons parvenir votre carte de résident permanent (carte RP) par la poste à votre arrivée au Canada.
Toutefois, si vous n’avez pas fourni votre adresse postale au Canada lorsque vous êtes devenu résident permanent, vous devez nous communiquer votre adresse au Canada à l’aide de notre outil en ligne dans les 180 jours suivant l’obtention du statut de résident permanent.  Si vous n’avez pas fourni votre adresse postale au Canada lorsque vous êtes devenu résident permanent et que vous omettez de nous communiquer votre adresse dans les 180 jours, la carte RP sera annulée et vous devrez présenter une demande.Vous recevrez votre carte quatre à six semaines après avoir obtenu le statut de résident permanent si vous avez fourni votre adresse postale à ce moment-là, ou quatre à six semaines après nous avoir communiqué votre adresse si vous avez utilisé l’outil en ligne pour le faire. Si vous n’avez pas reçu votre carte RP dans les six semaines qui suivent l’envoi à nous de votre adresse au Canada, veuillez nous aviser que vous n’avez pas reçu votre carte RP.

9 – COMPTE BANCAIRE.  ◊

10 – EDUCAÇÃO CRIANÇAS. ◊ 

Este quesito é complexo e merece depois um post exclusivo. O que fiz foi reunir alguns sites importantes e uma lista dos benefícios.

11 – BENEFÍCIOS CRIANÇAS.  ◊

Os benefícios também. Vale o estudo. É complexo e é preciso ver em qual deles você se encaixa ou não. 

BENEFÍCIOS FEDERAIS

• PUGE ( crianças com menos de 6 anos 100$ mensais )
• PFCE ( para todas as crianças até os 18 )

http://www.cra-arc.gc.ca/bnfts/menu-fra.html

BENEFÍCIOS PROVINCIAIS
• RRQ

http://www.rrq.gouv.qc.ca/fr/enfants/nouveau_resident_quebec/Pages/nouveau_resident_quebec_sae.aspx

• REEE ( ABRIR NO BANCO A POUPANÇA DAS 2 CRIANÇAS )

http://www.esdc.gc.ca/fra/emplois/etudiant/epargne/index.shtml#a

• BON D’ÉTUDES CANADIEN (BEC)

http://www.servicecanada.gc.ca/fra/gdc/bec.shtml

• LA SUBVENTION CANADIENNE POUR L’ÉPARGNE-ÉTUDES (SCÉÉ)

http://www.servicecanada.gc.ca/fra/gdc/scee.shtml

• L’INCITATIF QUÉBÉCOIS POUR L’ÉPARGNE-ÉTUDES (IQÉÉ)

http://reee-info.net/?page_id=285

12- CARTEIRA DE MOTORISTA.  ◊

http://www.saaq.gouv.qc.ca/permis/echange/index.php

 

 

 

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DOSSIER D’IMMUNISATION – Carta de vacinação para menores de 16 antes de chegar no Canadá.

 

Colegas! Este é um post serviço que pode ajudar muita gente. Hoje fui preencher o “Carnet de Vaccination” ( eu recebi em Francês, mas pode ser em inglês ) que nos é entregue junto com os passaportes e a carta de residente permanente no consulado. Bom, pelo que sei até o momento é que você precisa preencher o formulário com o nome do seu filho, sobrenome e data de nascimento. Isso se ele tiver menos de 16 anos, conforme está escrito no próprio formulário. Você também precisa preencher os espaços respectivos das vacinas indicadas com as datas em que o seu filho(a) foi vacinado(a). A carta de vacinação provisória será usada no momento da matrícula do seu filho na escola. 

Eu achei na net um site bem legal que tem a tradução de todas as vacinas. É este aqui.

http://www.immunize.org/catg.d/p5122.pdf

Então é só olhar na caderneta brasileira do seu filho a vacina indicada procurar a respectiva em Francês ou Inglês e marcar na tabela a data. Repare que a tabela começa com Diphtérie, Coqueluche e Tétanos. Estas vacinas estão contidas na nossa tetravalente. Então você ponha a data da tetravalente em frente das vacinas citadas acima. O documento precisa ser assinado por um médico pediatra, com o carimbo do CRM e o que puder dar mais credibilidade ao documento. Nem consultei se é preciso reconhecer firma em cartório, mas acho que não. Os dados do médico acho que já é o suficiente. Lembre-se de que você precisa viajar com a carteira de vacinação original. Não deixe em hipótese nenhuma ela no Brasil.

No caso do meu filho ele tomou umas vacinas a mais que nem estavam relacionadas na tabela. O que eu fiz foi incluí-las com suas respectivas traduções. 

Você pode pegar o formulário em Inglês aqui .. 

http://forum.iask.ca/attachment.php?attachmentid=295495&d=1365766791

abaixo segue o modelo em Francês. Dá pra colar no Word e usar normal. O formulário entregue no consulado não tem carimbo nem nada. 

 

 

DOSSIER D’IMMUNISATION

CANDIDATS DE MOINS DE 16 ANS

 

Au Canada c’est une exigence provinciale que tous les enfants fréquentant une école soient immunisés avant l’entrée à l’école. Afin d’aider l’entrée à l’école et aider à la sante des enfants immigrants, il est strictement recommandé qu’un carnet des vaccinations reçus avant l’immigration au Canada soit créé et certifié avant de partir au Canada.

Ce formulaire – Carnet de Vaccination – sera émis par l’officier d’immigration/visa qui traite la demande d’immigration. Il incombe au demandeur d’avoir le formulaire dûment rempli et certifié par un professionel de santé qualifié avant de partir pour le Canada. Ce formulaire devra être présenté à l’autorité provinciale de santé approprié avant que l’enfant soit inscrit à l’école. Il est recommandé que le carnet de vaccination original soit retenu par l’individu en cas de migratio secondaire.

A être complété et certifié pour les Candidats au Canada de moins de 16 ans. Merci d’indiquer la date d’administration dans l’espace approprié. Quand il n’a pas été administré, merci de compléter avec “N.A.”.

 

                                                                                                                                

Nom de Famille                  Prénom                          Jour / Mois / An

 

1ST

2ND

3RD

4TH

5TH

DIPHTHERIA

 

     

 

PERTUSSIS (WHOOPING COUGH)

 

     

 

TETANUS

       

 

POLIO

 

       

MUMPS

 

 

 

 

 

MEASLES (RUBEOLA)

 

 

 

 

 

RUBELLA (GERMAN MEASLES)

 

 

 

 

 

HAEMOPHILUS INFLUENZA B

 

 

 

 

 

B.C.G.

 

 

 

 

 

HEPATITIS B

 

 

 

 

 

ROTAVIRUS

 

 

 

 

 

MININGOCOCCAL CONJUGATE

 

   

 

 

INFLUENZA H1N1

   

 

 

 

PNEUMOCOCCAL CONJUGATE

       

 

Je certifie ce que soit un vrai registre des vaccinations reçues par le nommé ci-dessus.

                                                                               

Signature de professionnel de santé qualifié                            Jour / Mois / An

Nom, Prénom:                                         

Adresse:                                                                                                

Désignation Professsionnell:                                                                  

Pays où les vaccins ont été administers: ____________________________________________________

 

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“Je me casse” .. O dia em que deixamos o Brasil.

 

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É até arriscado um título destes em ano de eleições, Copa do Mundo e tanta turbulência social. É temeroso alguém fazer uso político do seu exílio. Mas não é preciso ser de direita ou esquerda para ter motivos de sobra para querer trocar o Brasil por um país melhor.  Em abril próximo eu e minha família começamos nossa mudança definitiva para o Canadá, especificamente Montreal. Foram longos anos de processo, entrevistas, avaliações, documentos, traduções, gastos, até que a nossa tão aguardada residência canadense chegou.

Os motivos que levam alguém a tomar uma atitude tão radical são diversos. Vai da insatisfação com a terra mãe ao fascínio pelo desconhecido. Meu pêndulo descansa mais no segundo. Embora quando se tem filhos, no meu caso dois, é impossível não pensar em segurança e no futuro deles muito antes da aventura. E é exatamente no item educação, o lastro social das crianças, onde o nosso país mais falha. Local também onde reside minha maior insatisfação com a pátria. E eu nem falo só do lance do lugar dos idosos nos ônibus, faixa de pedestres, lixo no chão e funk alto nos carros. Falo da educação clássica mesmo. Geografia, português, matemática, línguas. Falo daquele respeito e admiração aos professores, dos desafios do saber, as feiras de ciências, o teatro na escola, a banda, as datas cívicas, a olimpíada entre turmas e a tão sonhada hora do recreio. Aqui, educação agora virou competição.

Nos últimos anos o Brasil escolheu o modelo de privatização neste setor. Um erro do governo. Já os pais saíram de dentro da escola e deixaram só para a escola uma tarefa que na verdade é de todos. O resultado é este que se vê. O caos no ensino público, desrespeito, falta de profissionais, violência na sala de aula e o mercado ditando as novas regras. Neste modelo novo seu filho se prepara para se diferenciar e nunca criar pares. Ele é criado para se achar o melhor, o diferente. E buraco só aumenta.

No ranking do último Enem, entre as 10 primeiras escolas, seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro, nenhuma pública. Se quiser uma boa educação no Brasil para seu menor terá que desembolsar mensalmente para um único filho mais que o equivalente a renda inteira de uma família pobre, hoje na verdade chamada de média, mas ela é pobre de toda forma. Isso durante no mínimo uns 10 anos.   A escola do meu filho de 5 anos atualmente custa cerca de um salário mínimo só para 4 horas de brincadeira. Pode acreditar ela está barata. E eu nem tenho outra opção. Escolas vizinhas a dele vão de R$ 1.000 a R$ 2.000. Uma creche também fica por aí. Tentei colocar ele na pública e não o aceitaram por quê ele faz aniversário no meio do ano. Significa que o estado ainda não se vê responsável por ele em termos de educação e também não faz nada por isso.

Eu poderia fazer uma sequência de dados comparativos entre os dois países e obviamente o Canadá sairia com larga vantagem na frente. Mas o que muita gente desconhece é que a educação no Canadá tem também muitas falhas. Vejam duas reportagens abaixo que tratam do analfabetismo por lá e existe até uma preocupação com o êxodo nas universidades.

http://www.arrondissement.com/tout-get-communiques/pc1/u20546-elections-quebec-2014-rgpaq-invite-tous-partis-politiques-engager-resolument-faveur-lutte-contre-analphabetisme

http://journalmetro.com/opinions/autrement-dit/461577/pour-qui-allez-vous-voter/

Obviamente irei criar muitos textos a respeito da educação canadense a partir do próximo mês, data de minha chegada,  porém meu foco ainda é mais o meu país atual e os motivos que me levaram a abandoná-lo.

Além da evasão na escola pública, péssimos salários dos professores, violência, problemas já citados acima, existe um mal maior além muro. A sociedade brasileira extremamente consumista tem formado uma geração de competidores. Aquela história do ter mais do que o ser. Está ficando cada vez mais ridículo essa busca. É como se nossos filhos fossem esse bonequinhos virtuais onde acrescentamos aulas de judô, kumon, marketing pessoal aos 3 anos de idade e mandarim para que ele cresça feliz.

E aí caímos em outro ponto perigoso. O custo de vida. No Brasil é preciso ser milionário para criar uma família com qualidade mínima de vida. É como se fosse uma luta desleal. E eu não vejo mudanças a curto prazo. Digo umas 2 gerações no mínimo. Por isso escolhi outro lugar para criar meus filhos. Tem um pouco de protesto nesta decisão, apesar de não ser a principal razão. Então bota primeiro aí na ponta do lápis o que estou dizendo. Vou ter como base uma família como a minha. 2 adultos e 2 crianças pequenas.

Comparativos de preços. ( Brasil x Canadá )

1 – BRASIL

Aluguel – R$ 1.500,00 ( coloquei um aluguel básico de dois quartos, bairro mediano na capital paulista. Bem mediano)

Condomínio – R$ 300,00

Internet, tv a cabo e telefonia – R$ 150,00 ( pacote básico com telefone ilimitado )

Luz, água – R$ 150,00 ( com 4 pessoas em casa é a média para os dois itens )

Celular – R$ 100,00 ( plano básico de 50,00 por exemplo para dois adultos )

Mercado – R$ 700,00 ( nesse item deve ter gente dando risada. como assim 4 comendo com 700, 00 no mês. Vai vendo o se vira nos 30 )

Transporte –  R$ 200,00 ( sendo bem generoso viu)

Saúde – R$ 360,00 ( um plano familiar básico pra 4 é possível neste preço )

Educação – R$ 1.000,00 ( Vamos fingir que encontramos um plano de mil para 2 crianças em fase inicial neste mesmo bairro mediano.)

Deu R$ 4.460,00 pro básico. Ou seja, dá um valor maior que 6 x o salário mínimo hoje do país.  Como ele pode ser chamado de mínimo. Veja que eu não coloquei lazer, aquele livro novo que você tanto quer, o restaurante japonês com a esposa, os brinquedos das crianças, o parque, a academia, a farmácia, uma aula extra, um curso novo, a viagem pro exterior que você tanto sonha, as prestações do carro, IPVA, além da sua poupança para comprar seu apartamento, sua aposentadoria privada ( no Brasil ela é essencial). E então me ajude, qual dos itens na lista lá em cima é considerado m artigo de luxo ?

Você se sente confortável com a saúde pública e deixaria hoje de pagar o plano de saúde? Deixaria hoje seu filho se graduar no ensino público do país ?  Um dos dois adultos em casa topa ficar com o celular pai de santo pra gastar menos. Talvez possamos cortar o plano de saúde dos pais. Comer menos.

Agora acrescente a essa roubalheira as horas gastas no péssimo trânsito, a falta de tempo de qualidade com a família, a jornada dupla de trabalho, a violência e o abismo social entre as classes, a insegurança no trabalho e a falta de benefícios sociais.

E depois me diga. R$ 6.000,00 é um bom salário hoje no país. Sim, apesar de como vimos dá pra poucsa coisa numa grande cidade. É possível ganhá-lo. Sim, ainda mais com duas rendas. Marido e Mulher. Mas observe que o cálculo foi dos 4 e pouco foi feito em cima de uma vida bem simples numa metrópole.

Agora vamos ao Canadá. ( País que convida imigrantes capacitados do mundo inteiro)

Aluguel – $ 800,00 ( é a média dos ap’s em Montreal. Uma metrópole mundial como São Paulo. Quem quiser pode pesquisar aqui os alugueis http://www.kijiji.ca/ )

Condomínio – Incluso neste valor

Internet, tv a cabo e telefonia – $ 80,00 ( pacote de internet rápida e  60 canais por exemplo )

Luz, água – $ 25 a 30 ( A maioria dos alugueis com o valor descrito acima incluem energia. Para quem não tem a energia inclusa paga em média este valor. Água na maioria das cidades não se paga. E pode ser consumida da torneira )

Celular – $ 80 ( pacote ilimitado para dois adultos com direito ao aparelho no plano )

Mercado – $ 500 ( para dois adultos e duas crianças pequenas é um ótimo valor )

Transporte –  R$ 160 ( duas cartas de 80,00 dólares que te dá direito a andar a vontade de ônibus e metrô. Esse quesito é daqueles comparativos que sozinho te levariam a Montreal. Transporte de qualidade)

Saúde – $  ( Todo cidadão tem direito ao sistema de saúde gratuito. Inclusive os recém chegados. Não é o melhor do mundo, tem muitas falhas, pode até perder em muitos casos para o privado brasileiro, mas no geral é bem melhor.)

Educação – $ 250 ( coloquei um valor básico de cálculo de uma creche no meu caso por que meu filho maior não paga escola, somente a menor paga a “garderie” que nada mais que a creche.  Mesmo assim o governo te reembolsa até 75% de todo valor investido por você. Isso se você não conseguir as que são completamente subsidiadas pelo governo )

Então vamos lá. O custo básico de uma família no Canadá com os mesmos itens que apresentei no Brasil gira em torno de $ 1.895,00.

É lógico que estamos comparando um país 8 vezes o melhor IDH do mundo contra a 6º economia do mundo, o gigante que dorme na 85º quando o assunto é qualidade de vida. O  salário mínimo no Canadá é de $ 1.600,00. Duas pessoas sem formação nenhuma trabalhando nos empregos mais básicos possíveis ganham facilmente $3.200,00.  Mesmo que o imposto ainda coma 27 % deste valor você teria $ 2.336,00. Veja. Essa é uma família considerada pobre no Canadá.

Aqui, segundo o datafolha, quem ganha de 4 a 6 mil reais faz parte de 9 % da sociedade brasileira. Elite. Não sei como, mas é possível. ( http://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernandocanzian/2014/01/1398643-o-role-do-brasil.shtml )

Se estamos sendo bem didático é preciso ser rico no Brasil para se equiparar ao estilo dos mais pobres no Canadá. É muita sacanagem com quem rala em terra brasilis. Onde está a raiz deste disparate. Chute você. Colonização, religião, acaso, sorte. Desconfio, mas não me atrevo aqui.

Agora vem um detalhe. Cada criança em Montreal por exemplo pode contar com até 4 benefícios sociais. E lá desde os mais ricos até os mais pobres pegam proporcionalmente estes valores, seja em dinheiro direto ou em desconto no imposto de renda. Um estudante de mestrado pode ganhar só para estudar 1.400,00 doletas. Só ralando numa universidade, sem nenhum ganho extra, o danando consegue, ainda que a duras penas, passar bem.

Então o problema do Brasil seria principalmente a má distribuição de renda. Pra mim não. Dos imigrantes brasileiros com destino ao Canadá a maioria faz parte do que seria em tese minoria por aqui. Para se conseguir a cidadania é preciso ter no mínimo um diploma universitário ( se eu não me engano 9% da sociedade), cinco anos de experiência na área, proficiência em inglês e francês, além de diversos outros requisitios para embarcar rumo a terra gelada. Muitos terão que deixar suas profissões de lado quando chegarem no Canadá para recomeçar tudo do zero, em empregos antes impensáveis. Outros gastarão fortunas para revalidar diplomas. Terão que buscar fluência na nova língua, competir em um novo mercado de trabalho com novos códigos. Vários trocam um estilo de vida confortável no Brasil por uma vida de ralação em terras gélidas.

Desses loucos aventureiros, quase todos estão em busca da mesma coisa. Educação de qualidade, acessível, num país bilíngue. Segurança. Poder andar de madrugada na rua sem se preocupar com sequestro relâmpago. Trabalhar com eficiência, menos e ter mais tempo com a família. Conhecer novos lugares, viajar a preços mais reais, consumir cultura sem que isso seja somente um bem de consumo. Planejar o futuro, sem que para isso tenha que ser esfolado socialmente todos os dias. Basicamente viver em uma sociedade bem mais igual.

O Brasil pode ter  melhorado muito economicamente, mas continua um país extremamente mal educado.

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15/03/2014 · 12:09 AM